sábado, 18 de fevereiro de 2012

Da dura realidade

Hoje quase te telefonei, mas depois lembrei-me que não chegaste a completar 95. E mais do que nunca pesou muito perceber que nunca mais vou ouvir a tua voz avô. Parabéns

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É como o pão

existem fornadas de excelência e nesta visita a Portugal confirmei que a de 84 a 89 teve fermento e farinha da melhor qualidade. Coisas mai' lindas

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Da relatividade da idade...

Caminho para os 32, e embora às vezes me pesem cerca de 100 anos nas costas, em geral sinto-me nova (vinte e tais), mas em certas coisas não saí da adolescência, ou sinto-a agora para compensar não a ter vivido como devia. 

adulto 
adj. s. m.
1. Que já está em idade compreendida entre a adolescência e a velhice.
2. Que já atingiu todo o desenvolvimento.

Na realidade, só me sinto totalmente adulta -com todo o peso e responsabilidade que isso acarreta- em termos profissionais. De resto sinto-me uma catraia, não percebo de bancos, seguros, de morte, não gosto do socialmente correcto e a idade tem um peso extremamente relativo ao ponto de me chocar o facto das minhas amigas terem filhos (a sério que temos idade para isso?). Sou uma catraia na alma e gosto disso. Não me considero infantil e quando o sou é pensado, para aligeirar o ambiente e porque como o carnaval, a vida são 2 dias. Não me assusta nem preocupa envelhecer, gosto da calma e conquistas que vêm com a idade, mas estou longe do desenvolvimento de que fala a priberam.

Será que está na altura de crescer a sério?

Facto #49

A minha família não joga como baralho todo, aliás é bem capaz de nos faltar um naipe inteiro!

Let's look at a trailer



Este filme é tão bom que só apetece dizer asneiras, porque faltam as palavras. E a banda sonora? Soberba.

Da dita crise e da precariedade

Tenho opiniões bastante controversas relativamente à crise, mas doeu-me na alma passear no Porto. Sem abrigo, arrumadores e pedintes sempre houve, mas o aumento (mesmo de Setembro para agora) é palpável. E é notória a diferença dessas pessoas também (sim, que todos nós conseguimos distinguir quem pede para drogas ou para comer). Há neles uma dignidade no olhar que só tem quem levou demasiados pontapés na e da vida e não sabe o que mais fazer para sobreviver. Dei sempre, tanto na tentativa de ajudar como de apaziguar o meu peso na consciência, mas de quando a quando lembro-me daqueles olhares esperançosos de dias melhores e sinto de novo um nó gigante na garganta.

I love the Baftas

A minha televisão tem neste momento o Russell Crowe e o Hugh Jackman... o mundo está tão melhor agora.

Revisitar a própria alma

        

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Perder a âncora

A menos de quinze dias de completares 95 anos encontraste o caminho de volta para a Ditinha. Sei que é a melhor prenda que podias ter mas nem isso apaga a vontade de falar contigo mais uma vez, de te chamar Nato e discutir o nosso benfica. Quando os meus pais me disseram que estavas prostrado há dois dias quase sem reacção, soube que algo não estava bem. Isso não eras tu. Tu reagias a tudo, reclamavas com as enfermeiras, discutias com os médicos a insensatez de te manter internado, logo tu que tinhas uma casa para onde ir e de que cuidar. Sempre dissemos que nos ias enterrar a todos, mas hoje perdeste a força que te caracterizava. Devia estar preparada mas não estava, foi um choque, foi demasiado depressa. Ainda queria ouvir a tua voz mais uma vez a lembrar-me 'o teu avô está velho'.

Agora recapitulo alguns bons momentos e memórias gloriosas... os dias no campismo... a educação rigorosa e a teimosia maior de sempre... os almoços de domingo por estradas intermináveis com relatos de futebol a acompanhar e que me puseram a gostar de bola... os discursos característicos e imensos... o chapéu e vara de fada que improvisaste para mim num carnaval... as comemorações e o 'sai da frente da televisão'... o traje académico que comprei só por vossa causa para a foto que tanto querias... o teu canto de tenor... o JN comprado religiosamente... o cata-vento que me fizeste em Angeiras... o teu escritório na rua do almada... as nódoas nas gravatas... a visita ao hospital quando fui operada... a tua letra desenhada... quando tirei a carta e me pediste para te levar a dar uma volta... o orgulho quando falavas de qualquer um dos netos... a tua alegria imensa quando te visitava de surpresa... e o sentimento quando me abraçavas e dizias 'minha neta lembra-te sempre que o avô gosta muito de ti'.
Com todos os defeitos que tinhas, sempre foi um orgulho ter o teu nome. E hoje, como sempre, espero que saibas disso e que descanses com a certeza que a tua neta nunca te vai esquecer.